‘Pseudomonas aeruginosa’, revelam-se como ameaça a sepse

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Publicado 02/03/2018 7:05:37CET

LISBOA, 2 Mar. (EUROPA PRESS) –

A bactéria ‘Pseudomonas aeruginosa’ é uma das principais causas de infecções e sepse em pessoas que sofrem queimaduras graves, porque é difícil, se não impossível, de combater. Pesquisadores da Universidade de Genebra (UNIGE), na Suíça, conseguiram revelar a dinâmica da fisiologia e o metabolismo do patógeno durante o seu crescimento em exsudados, os fluidos biológicos que são filtrados pelas queimaduras.

Publicado na revista “Frontiers in Cellular and Infection Microbiology’, este estudo permite-lhe seguir passo a passo as estratégias desenvolvidas por ‘Pseudomonas aeruginosa’ para proliferar e, assim, orientar o desenvolvimento de tratamentos inovadores para combatê-los.

‘Pseudomonas aeruginosa’ foi classificada recentemente pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos patógenos prioritários para o desenvolvimento de novos tratamentos. Esta perigosa bactéria é responsável por vários tipos de infecções agudas ou crônicas potencialmente letais e os pacientes que sofrem queimaduras graves, constituem um grupo de alto risco, já que este agente se desenvolve nas feridas e se adapta a seu ambiente para proliferar e colonizar o hospedeiro, o que pode causar sepse.

Este microorganismo, amplamente presente no ambiente, aproveita um enfraquecimento do hóspede para estabelecer diversos mecanismos que facilitam a sua multiplicação. “Queríamos saber quais armas foram produzidas e utilizadas por ‘P. Aeruginosa’ e quando durante a infecção. Portanto, identificamos os genes que expressam as bactérias que entram em contato com os exsudados dos pacientes e se desenvolviam na deles”, explica Karl Perron, diretor do Laboratório de Bacteriologia do Departamento de Botânica e Biologia Vegetal da Faculdade de Ciências de UNIGE.

Os pesquisadores combinaram a análise de expressão dos cerca de 6.000 genes bacterianos com a análise dos compostos utilizados por ‘P. Aeruginosa’, em colaboração com pesquisadores do Hospital Universitário de Lausanne (CHUV) e o Hospital Universitário de Berna, na Suíça.

A bactéria sobreexpresa muito rapidamente todos os genes que codificam proteínas que permitem capturar o ferro do hóspede, porque é necessário para o seu crescimento e proliferação“, explica o primeiro autor do artigo, Manuel González, membro da equipe de Genebra. Estes incluem sideróforos, moléculas que se ligam ao ferro solúvel e hemóforos, verdadeiros “aspiradores moleculares” que extraem o ferro unido aos glóbulos vermelhos. Ao mesmo tempo, a bactéria também produz vários sistemas para exportar e importar estas moléculas, antes e depois de terem capturado o ferro.

Os pesquisadores também descobriram que ‘P. Aeruginosa’ usado principalmente lactato, lipídios e colágeno do hospedeiro como fonte de nutrientes. Para aceder a estes compostos, a bactéria produz e secreta rapidamente enzimas específicas capazes de destruir o tecido circundante.

“Os biólogos têm mostrado que estes fatores de virulência são produzidos em exsudados, mesmo quando estes contêm quantidades relativamente pequenas de ‘P. Aeruginosa’, o que sugere que este patógeno torna-se rapidamente agressivo nas queimaduras. Também observamos que gera bombas para expulsar moléculas, o que poderia permitir-lhe resistir a certos antibióticos”, acrescenta Karl Perron.

Estes resultados, que revelam a dinâmica da fisiologia e o metabolismo de ‘P. Aeruginosa’ em um contexto de queimaduras, fornecem elementos cruciais para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. “Uma vez que a disponibilidade de ferro é um fator limitante para o crescimento bacteriano, deve ser considerado como uma estratégia do tipo cavalo de Tróia, que está em desenvolvimento. Isto consiste em unir certos antibióticos sideróforos para que a bactéria dos valor em grandes quantidades, juntamente com o ferro solúvel”, explica Manuel González. As moléculas que inibem fatores de virulência específicos também podem ser gerenciados em um estágio inicial.

Para esta pesquisa, os médicos utilizaram um método alternativo para a experimentação com animais. A análise dos exsudados, seu uso e a síntese de um ambiente artificial que imita o ambiente particular têm dado a Karl Perron o ‘Prêmio UNIGE 3R 2017’.

A regra dos 3r (reduzir, substituir, refinar) se estabeleceu internacionalmente como a base da abordagem ética aplicada à experimentação animal, e é promovido ativamente por UNIGE. Seu objetivo é reduzir a quantidade de animais utilizados, refinar as condições experimentais para melhorar o bem-estar dos animais e substituir os modelos animais com outros métodos experimentais, quando possível.

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